Era uma vez Matheus

Um fim de semana que ele sumiu. Aquela dedução que surge do nada. Faço perguntas para alguém que não lembro. Alguém sabe onde vai ser o enterro? Quando? Ligo a TV (quase não faço mais isso), e está rolando um curta, e a tela mostra o título, o qual não lembro, pois minha atenção focou-se para o título que figurava logo embaixo: Homenagens. Ali tinham 3 ou 4 nomes, e o último, que surgia como um brega título de casamento (aqueles do tipo “Enlace Matrimonial de Jairo e Betânia”), era o de Matheus Chioratti, assim mesmo, Chioratti. Disse pra minha mãe (aí o teletransporte: eu já estava numa cama) que eu conhecia esse menino, era muito meu amigo, até então, sabia que ele tinha morrido, mas não do quê. Começou o Fantástico (esse, então, tem 3 décadas que não assisto), e nele a apresentadora começou a relatar daquele jeito fascinante tal qual Cid Moreira faz, de fazer defunto arrepiar (”nessa semana um caso abalou a cidade…”), e logo entrou a dramatização dos fatos, em uma fotografia que me lembrava muito o final do filme “Desejo Cigano”, a la Linha Direta. Matheus e sua mãe discutindo no carro, e depois em um quarto, que parecia quarto de hotel. Aí, ela foi embora, e ele tomou os calmantes e anti-depressivos com bebida, e se foi. Eu disse para minha mãe que ele era muito meu amigo e chorei. Logo mais, entraram gráficos relativos ao uso desses remédios entre jovens, e índices sobre suicídios. Acordei achando que estava chorando, mas era só impressão.

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